Ryan VanGrack, vice-presidente da Coinbase e ex-oficial da SEC (a comissão de valores mobiliários dos EUA), afirmou que o projeto de lei Clarity Act está ganhando forte impulso no Senado americano. Em entrevista ao canal CNBC, VanGrack defendeu a criação de uma estrutura federal de regras para o setor e abordou temas como Bitcoin, a tecnologia da blockchain e a relação conturbada com o mercado financeiro tradicional.
Segundo o executivo, o Clarity Act não busca isentar o setor de fiscalização. A proposta é impor regras ao mercado cripto pela primeira vez. Ele descreveu a medida como positiva para investidores, inovadores e para o país, destacando que um grupo de senadores de diferentes partidos continua trabalhando no texto nas últimas semanas.
Avanços do projeto no Senado
A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou sua versão do Clarity Act no ano passado. Agora, a atenção está no Senado, onde o projeto precisa de 60 votos para aprovação. A Comissão de Bancos do Senado já aprovou o texto em uma votação de 15 a 9.
O projeto também recebeu apoio público do presidente Donald Trump, que defendeu a aprovação da lei para manter os Estados Unidos competitivos em relação à China.
VanGrack destacou que parlamentares democratas conseguiram incluir pontos importantes para reforçar a proteção dos consumidores. As mudanças incluem regras contra o financiamento ilícito, mecanismos para fechar brechas que permitiram fraudes no passado (como o caso da corretora FTX), combate ao uso de informações privilegiadas e exigência de maior transparência.
O executivo esclareceu que o projeto mantém as estruturas básicas de fiscalização e não altera a forma como os ativos digitais são classificados legalmente.
Aproximação com o mercado financeiro tradicional
Quando questionado sobre a resistência de críticos como Jamie Dimon, presidente do banco JPMorgan, VanGrack apontou para o número crescente de acordos entre grandes bancos e empresas de criptomoedas. Segundo ele, quase toda semana uma grande firma anuncia um novo projeto ou investimento na área.
O executivo prevê uma convergência inevitável, momento em que o mercado deixará de separar as finanças tradicionais do setor cripto, tratando ambos como parte do mesmo sistema financeiro moderno.
Essa aproximação acontece na prática, embora ainda exista atrito. O próprio JPMorgan firmou parceria com a Coinbase para ampliar o acesso a ativos digitais e passou a aceitar Bitcoin como garantia de empréstimos, mesmo com o presidente do banco mantendo críticas públicas à legislação e ao setor.
O valor do Bitcoin e o papel da blockchain
Durante a entrevista, perguntaram a VanGrack se a tecnologia da blockchain é válida, mas o Bitcoin não. O executivo defendeu que os benefícios da tecnologia são claros: liquidações de pagamentos mais rápidas, maior transparência e funcionamento sem interrupções durante as 24 horas do dia.
VanGrack argumentou que ninguém construindo um sistema financeiro hoje usaria a infraestrutura criada no século passado. Ele citou novos investimentos de grandes firmas de Wall Street como sinal de que o mercado caminha nessa direção.
Sobre a crítica de que criptomoedas removem intermediários (o que dificulta resolver problemas caso algo dê errado), VanGrack reconheceu a complexidade. Por outro lado, ele lembrou os custos e atrasos do sistema tradicional, que leva dias para processar certas transações.
Para finalizar, o executivo reforçou a urgência da lei. Segundo ele, sem regras claras não existe supervisão federal. Por isso, a aprovação do Clarity Act traz segurança tanto para quem apoia quanto para quem critica o mercado cripto.
Fonte: Coinbase Executive Says Clarity Act Has ‘Tremendous Momentum’ in the Senate
DYOR.


