A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, agora recomenda formalmente que investidores destinem entre 1% e 2% de suas carteiras ao Bitcoin. A orientação veio de Michael Gates, gestor de portfólios modelo da empresa, que classificou o Bitcoin como um “diversificador complementar” em carteiras com múltiplos ativos.
“Uma alocação modesta poderia ter um impacto positivo nos retornos da carteira sem dominar o risco do dia a dia”, disse Gates.
O que significa na prática
Em uma carteira tradicional, composta por 60% em ações e 40% em renda fixa, a BlackRock aponta que uma posição de 1% a 2% em Bitcoin representa um nível de risco comparável ao de uma única ação de grande empresa de tecnologia.
A baixa correlação do Bitcoin com ações e títulos de renda fixa significa que essa exposição pode melhorar os retornos ajustados ao risco, sem aumentar a volatilidade de forma proporcional. Esse ponto é relevante especialmente para assessores financeiros que gerenciam carteiras conservadoras ou moderadas.
A BlackRock deixa claro que a recomendação não é uma aposta especulativa. É uma decisão estrutural baseada na lógica de diversificação.
Os produtos da BlackRock para investir em Bitcoin
Para viabilizar essa alocação, a BlackRock indica seu próprio ETF de Bitcoin, o iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT), que foi incluído em seus portfólios modelo pela primeira vez. Um ETF (fundo negociado em bolsa) permite que investidores tenham exposição a um ativo sem precisar comprá-lo diretamente.
Lançado em janeiro de 2024, o IBIT se tornou um dos ETFs de estreia mais bem-sucedidos dos últimos anos, acumulando quase US$ 49 bilhões em ativos sob gestão e mantendo mais de 765.000 BTC em custódia. O fundo detém cerca de 50% de todo o capital alocado em ETFs de criptomoedas por assessores de investimento nos EUA. A taxa anual do fundo é de 0,25%.
Novos produtos, expansão global e o potencial no mercado asiático
As ambições da BlackRock em Bitcoin vão além do IBIT. A gestora lançou recentemente o iShares Bitcoin Premium Income ETF (BITA), um produto que mantém exposição ao IBIT enquanto vende opções sobre 25% a 35% da carteira para gerar renda mensal. Opções são contratos financeiros que dão ao comprador o direito de adquirir ou vender um ativo a um preço determinado. O BITA oferece aos investidores mais conservadores uma forma de ter exposição ao Bitcoin com geração de renda periódica.
A empresa também opera um produto de investimento em Bitcoin na Bolsa de Valores de Londres, ampliando sua infraestrutura para os mercados europeus.
Em fevereiro, um executivo da BlackRock afirmou que, se assessores financeiros em toda a Ásia alocassem apenas 1% das carteiras de seus clientes em criptomoedas, isso poderia trazer quase US$ 2 trilhões em novos capitais para os ativos digitais. A estimativa leva em conta a riqueza das famílias asiáticas, avaliada em cerca de US$ 108 trilhões. O executivo também destacou a forte participação de investidores asiáticos nos ETFs de Bitcoin negociados nos EUA, à medida que mercados como Hong Kong, Japão e Coreia do Sul avançam em direção a uma adoção mais ampla de ETFs de criptomoedas.
Fonte: BlackRock Tells Investors to Put Bitcoin in Their Portfolios
DYOR.


