O Irã está lançando uma plataforma de seguro marítimo chamada Hormuz Safe, voltada para proprietários de carga e empresas de navegação que transitam pelo Estreito de Ormuz e pelo Golfo Pérsico. A iniciativa é apoiada pelo Ministério da Economia e Finanças do país e foi divulgada pela agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), com base em documentos internos do governo. A informação foi posteriormente reportada pela Bloomberg.
O site da Hormuz Safe descreve o serviço como um seguro digital rápido e verificável, pago em Bitcoin e liquidado na velocidade da blockchain. As coberturas incluem riscos de inspeção, detenção e confisco de embarcações. Danos de guerra estão excluídos da cobertura. O Ministério teria iniciado o desenvolvimento da plataforma em abril, segundo os documentos obtidos pela Fars. Até o momento da publicação da notícia, não foi possível confirmar se a plataforma já estava operacional ou havia processado apólices reais.
O contexto do Estreito de Ormuz
O lançamento do serviço formaliza mecanismos financeiros que o Irã vem construindo em torno do estreito há meses. Em março de 2026, o parlamento iraniano aprovou o Plano de Gestão do Estreito de Ormuz, uma lei que oficializou um sistema de pedágios que a IRGC já operava desde meados de março.
Por esse sistema, a IRGC cobra taxas de embarcações que desejam passar pelo estreito. Os operadores precisam fornecer informações sobre a propriedade do navio, tipo de carga, destino e tripulação a um intermediário ligado à IRGC antes de receber um código de autorização de passagem. As taxas começam em cerca de US$ 1 por barril de petróleo, e uma embarcação com carga completa pode pagar até US$ 2 milhões.
Por que o Irã escolheu o Bitcoin
O Bitcoin se tornou uma opção formal de pagamento em abril, quando Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Produtos de Petróleo, Gás e Petroquímicos do Irã, disse ao Financial Times que as empresas de navegação poderiam pagar as taxas de trânsito em Bitcoin ou em outras moedas não dolarizadas, como o yuan chinês.
A preferência do Irã pelo Bitcoin está diretamente ligada à resistência do ativo a bloqueios e confiscos, uma característica essencial para um governo que opera sob sanções abrangentes do Tesouro dos Estados Unidos.
“Ninguém pode congelá-lo”, disse Sam Lyman, diretor de pesquisa do Bitcoin Policy Institute, ao comentar a lógica por trás da decisão de Teerã.
O histórico do Irã com Bitcoin e o que está em jogo
Essa iniciativa se apoia em anos de adoção estatal do Bitcoin. O Irã legalizou a mineração industrial de Bitcoin em 2019 e chegou a representar 4,2% de todo o poder computacional global dedicado à mineração da moeda, antes de ataques militares dos Estados Unidos e de Israel danificarem grande parte dessa infraestrutura.
O ecossistema de criptomoedas do país movimentou cerca de US$ 7,8 bilhões em 2025. Transações ligadas à IRGC representaram aproximadamente 50% do volume total de criptomoedas do país no quarto trimestre daquele ano. O governo iraniano tem usado Bitcoin minerado para financiar importações e compensar quedas na receita do petróleo. O custo estimado de mineração estatal é de cerca de US$ 1.300 por moeda.
O Estreito de Ormuz é responsável pelo trânsito de cerca de 20% de todo o petróleo negociado no mundo. A Hormuz Safe representa a tentativa mais visível do Irã até agora de transformar o controle sobre essa rota estratégica em um produto financeiro gerador de receita, denominado em uma moeda que nenhum governo estrangeiro pode bloquear.
Fonte: Iran Launches Bitcoin-Backed Insurance Service for Strait of Hormuz Shipping, Eyes $10B In Revenue
DYOR.


