A CleanSpark, mineradora de Bitcoin listada na bolsa Nasdaq, informou em 14 de julho que assinou um contrato de aluguel de infraestrutura de 20 anos. O acordo foi feito com uma empresa global de tecnologia de alto nível de investimento (cujo nome não foi revelado) para suas instalações na cidade de Sandersville, no estado da Geórgia nos Estados Unidos.
O acordo marca o maior passo da companhia para deixar de ser apenas uma mineradora de Bitcoin. Agora, a empresa avança para o setor de computação de alto desempenho voltado para clientes de grande escala.
O contrato abrange a infraestrutura de data center que suportará 175 megawatts de carga crítica de tecnologia da informação. A CleanSpark espera que o período inicial gere 6,6 bilhões de dólares em receitas garantidas. Esse valor pode chegar a 11,6 bilhões de dólares se o inquilino decidir usar as duas opções de renovação.
A empresa anunciou recentemente que iria adaptar parte de sua capacidade de energia e infraestrutura de mineração para abastecer data centers de inteligência artificial. O objetivo é diversificar os negócios e as fontes de receita.
O lucro operacional líquido médio anual da CleanSpark com o acordo deve chegar a 330 milhões de dólares. As primeiras entregas estão previstas para o último trimestre de 2027.
Como mais um sinal do forte interesse do cliente, as duas partes assinaram uma carta de intenções e um acordo de exclusividade. Esse documento cobre todo o portfólio da CleanSpark no Texas, com uma base de até 885 megawatts de capacidade de energia já garantida e planejada. Se isso virar um contrato definitivo, a transição da CleanSpark para uma fornecedora de infraestrutura para serviços em nuvem e inteligência artificial será ainda maior.
CleanSpark possui 13.924 Bitcoins
O anúncio acontece enquanto o negócio principal de mineração da CleanSpark bate novos recordes. A empresa produziu 614 Bitcoins no início de julho. Ela também elevou sua taxa de hash (a medida do poder de processamento) operacional para 50 exahashes por segundo, o maior nível da história da companhia.
As reservas subiram para 13.924 Bitcoins, sendo um dos maiores estoques corporativos entre as mineradoras de capital aberto. A diretoria tem guardado grande parte do Bitcoin minerado em vez de vendê-lo no mercado, agindo como uma aposta no preço do ativo a longo prazo.
Wall Street reagiu bem a essa mudança de foco para o setor de computação. A corretora Citizens iniciou a cobertura com uma recomendação de “desempenho acima da média” e um preço-alvo de 27 dólares por ação, citando a mudança estratégica. A empresa Chardan elevou sua meta de 16 para 19 dólares e manteve a recomendação de compra. Ambas as análises apontaram o contrato de Sandersville como prova de que a CleanSpark pode gerar lucro com sua energia e terrenos fora da mineração. No setor de mineração, as margens de lucro variam muito com o preço do Bitcoin e a dificuldade da rede.
A reação dos investidores foi mista. As ações da CleanSpark subiram mais de 20% nas negociações antes da abertura do mercado com a notícia, mas depois caíram para um ganho de 9% ao longo do dia.
O aluguel na Geórgia oferece uma espécie de proteção financeira. O aluguel garantido por um inquilino com bom histórico de crédito fornece uma fonte de renda que não sobe e desce com os preços da mineração. Ao mesmo tempo, a empresa mantém suas máquinas e suas reservas de Bitcoin totalmente intactas.
O próximo grande teste é a execução. A empresa precisará colocar 175 megawatts em operação antes do final de 2027 e transformar a carta de intenções do Texas em contratos assinados.
Fonte: CleanSpark Signs $6.6 Billion Data Center Lease as Bitcoin Miner Pivots to Compute
DYOR.


