O gigante bancário Morgan Stanley decidiu que não quer mais ficar apenas assistindo à revolução financeira de fora. Durante um painel no evento Strategy World, a chefe de estratégia de ativos digitais da instituição, Amy Oldenburg, revelou planos ambiciosos: o banco quer construir sua própria infraestrutura nativa de custódia e negociação de criptomoedas.
O primeiro passo será permitir que os clientes da sua plataforma E-Trade comprem e vendam criptomoedas através de parcerias. Mas o plano principal, para o próximo ano, é lançar um sistema totalmente integrado e próprio do Morgan Stanley. “É uma progressão natural. Não podemos apenas alugar a tecnologia para fazer isso. As pessoas confiam na nossa marca para não falhar”, afirmou a executiva.
A isca do rendimento e o alvo de US$ 8 trilhões
Por que o banco está fazendo isso agora? A resposta está nos números. O Morgan Stanley gerencia impressionantes US$ 8 trilhões em ativos. No entanto, eles sabem que uma fatia gigantesca do patrimônio de seus clientes está alocada em Bitcoin e outras criptomoedas fora da plataforma do banco.
Para atrair esse capital de volta para os seus cofres, o banco planeja oferecer serviços de custódia “sob a supervisão” da instituição. Mais do que isso: eles estão estruturando produtos de empréstimo e rendimento (yield), onde o cliente poderia deixar seu Bitcoin travado no banco em troca de juros.
A própria instituição admite que muitos clientes (especialmente os bitcoiners) continuarão preferindo a auto-custódia, mas o Morgan Stanley aposta que o peso da sua marca atrairá o capital institucional e de varejo. O anúncio coincidiu com um dia de otimismo no mercado, com o Bitcoin subindo 8% e negociando próximo à faixa dos US$ 69.000.
Entenda as reais intenções e os perigos desse movimento
É aqui que a filosofia da Escola Austríaca de Economia e os princípios do Bitcoin precisam falar mais alto. Quando um banco tradicional oferece “rendimento” (yield) sobre o seu Bitcoin, como você acha que eles geram esse lucro? Eles pegam a sua moeda dura e a emprestam para terceiros, recriando o velho e arriscado sistema de reservas fracionárias (rehipotecação).
É maravilhoso ver bancos gigantes validando o Bitcoin como ativo global – isso traz liquidez e joga o preço para cima. Porém, entregar o seu Bitcoin para o Morgan Stanley em troca de uma promessa de rendimento é anular a principal revolução de Satoshi Nakamoto: a eliminação do risco de contraparte. Se o banco quebrar ou se envolver em uma crise de liquidez, o seu Bitcoin vira pó no balanço deles, como ocorreu com a FTX e a Celsius, em 2022.
Use os grandes bancos para observar a adoção institucional, mas na hora de guardar o seu patrimônio, a regra é clara: compre, saque para a sua própria carteira. Jamais deixe-os nas mãos de terceiros, “not your keys, not your coins”.
DYOR.


