JPMorgan apoia projeto de lei de criptomoedas nos EUA, mas faz alerta importante antes de prazo final no Senado

O JPMorgan declarou apoio à legislação federal de ativos digitais, mas condicionou o endosso a uma advertência: sem salvaguardas robustas, a inovação cripto pode criar riscos semelhantes aos do sistema bancário paralelo e comprometer a estabilidade financeira.

O JPMorgan manifestou apoio ao projeto de lei federal para ativos digitais, mas deixou um aviso claro ao Congresso americano. Para o banco, é preciso criar uma estrutura correta para não trazer de volta as vulnerabilidades financeiras que as regulamentações tradicionais tentam evitar.

Em um artigo de opinião conjunto, Umar Farooq, codiretor global de pagamentos do JPMorgan, e Peter Muriungi, presidente da divisão de ativos digitais e soluções de blockchain, defenderam que os Estados Unidos têm a chance de liderar as finanças digitais, desde que os políticos combinem regras claras com proteções seguras.

O texto foi publicado no momento em que o Senado corre para avançar com a Lei de Clareza do Mercado de Ativos Digitais antes do recesso de agosto. Os negociadores ainda tentam resolver pontos difíceis, como o pagamento de rendimentos em stablecoins, regras de ética para autoridades públicas ligadas ao setor e a responsabilidade de desenvolvedores de finanças descentralizadas.

Os executivos destacaram que a clareza nas leis só funciona se vier acompanhada de proteções duradouras. Regras com brechas podem desviar as atividades para canais pouco supervisionados, enfraquecendo defesas históricas do sistema financeiro.

O artigo chama a atenção pelos alertas e não pelas comemorações. Em vez de focar no potencial da tokenização e do dinheiro programável, os diretores gastaram a maior parte do texto mostrando como a inovação cripto pode dar errado sem as barreiras corretas.

A visão do JPMorgan sobre stablecoins e blockchain

Sobre a estrutura do mercado, a posição do JPMorgan foi direta. A blockchain na qual um produto é emitido não muda a sua função econômica. Ativos que funcionam como valores mobiliários devem seguir regras de transparência, custódia e integridade de mercado.

As plataformas de negociação descentralizadas que operam como corretoras ou bolsas devem seguir os mesmos padrões. A tokenização deve servir para melhorar o funcionamento dos mercados, e não como um mecanismo para burlar as regras que tornam o mercado de capitais americano confiável.

O banco dedicou atenção especial às stablecoins, setor onde enxerga oportunidade comercial e ameaça competitiva ao mesmo tempo. As stablecoins e os depósitos tokenizados podem acelerar as liquidações e reduzir os custos em pagamentos internacionais.

No entanto, quando esses produtos oferecem rendimentos ou guardam saldos sem cumprir as exigências de capital, liquidez e proteção ao consumidor exigidas dos bancos, a inovação em pagamentos vira um sistema bancário paralelo.

Recursos como recompensas ou dinheiro de volta (cashback) sobre saldos parados fazem com que muitos consumidores pensem que o produto tem as proteções tradicionais. Quando isso não acontece, o risco de saques em massa aumenta nos momentos de crise.

O presidente do JPMorgan, Jamie Dimon, tem sido uma das vozes mais firmes contra isso. No mês passado, ele afirmou que os bancos não vão aceitar essas condições e prometeu lutar contra as regras de rendimento de stablecoins no projeto de lei até o fim.

Os executivos também pediram ferramentas fortes contra a lavagem de dinheiro em todo o ecossistema de ativos digitais. Isenções amplas para a infraestrutura que processa transações essenciais podem ocultar os verdadeiros donos das contas, gerando riscos para a segurança nacional e para o mercado.

Expansão da plataforma Kinexys

O posicionamento do banco coincide com seus próprios interesses comerciais. O JPMorgan anunciou a expansão da sua plataforma de pagamentos em blockchain, chamada Kinexys, para oito moedas. O sistema agora aceita o dólar australiano, o dólar de Hong Kong, o iene japonês, o renminbi chinês e o dólar de Singapura, além do dólar americano, do euro e da libra esterlina.

A plataforma já movimentou mais de 4 trilhões de dólares em transações, com volume diário médio acima de 7 bilhões de dólares. Empresas como a Payoneer e a operadora de energia japonesa JERA Global Markets estão entre os primeiros clientes a usar as novas contas.

A Kinexys também lançou o JPM Coin, um token de depósito criado para oferecer liquidação quase instantânea para clientes institucionais, funcionando todos os dias da semana dentro do sistema bancário regulado. O token funciona em uma rede blockchain privada operada pelo próprio banco, onde os depósitos dos clientes ficam registrados digitalmente.

Em relatório recente, o banco Fidelity apontou que o atual período de baixa do mercado de criptomoedas pode acabar com a chegada de grandes estímulos. Entre os fatores citados estão o ciclo de corte de emissão do Bitcoin (halving), regras mais claras para o setor, cortes de juros pelo Banco Central americano, novos casos de uso para a tecnologia ou a entrada de grandes investidores institucionais.

Fonte: JPMorgan Backs U.S. Crypto Bill, But Puts a Warning Label Front and Center as Senate Eyes August Deadline

DYOR.

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