Crypto.com recebe aval para criar banco nos EUA após lobby e doações milionárias

A corretora Crypto.com deu um passo gigantesco para se integrar de vez ao sistema financeiro tradicional. A empresa recebeu uma aprovação condicional do governo americano (através da OCC – Office of the Comptroller of the Currency) para estabelecer um banco fiduciário nacional nos Estados Unidos.

A nova entidade, que vai operar sob o nome de Crypto.com National Trust Bank, não será um banco comum voltado para o varejo. Ele não aceitará depósitos convencionais nem fará empréstimos. O objetivo é atuar exclusivamente como um “banco de custódia” de nível institucional, oferecendo guarda de ativos digitais e liquidação de operações sob a supervisão direta do governo federal.

O jogo de bastidores e o lobby político

O CEO da empresa, Kris Marszalek, celebrou a aprovação como o “padrão ouro” da regulamentação americana. No entanto, nos bastidores, a empresa vem jogando o xadrez político com maestria.

Segundo a Bloomberg, Marszalek foi um dos primeiros executivos do setor a se reunir com Donald Trump em Mar-a-Lago após as eleições de 2024. Desde então, a Crypto.com abriu a carteira: doou US$ 1 milhão para o comitê de posse de Trump e injetou dezenas de milhões no MAGA Inc., um comitê de ação política conservador. Fica claro que, no mundo das finanças, o lobby é a ferramenta mais rápida para conseguir clareza regulatória.

Por que isso importa para o mercado?

A Crypto.com se junta a gigantes como Fidelity, BitGo e Paxos na corrida pelas cobiçadas licenças bancárias federais.

Para os investidores institucionais (fundos de pensão, grandes tesourarias), isso é excelente. A supervisão federal elimina o medo jurídico e cria a confiança necessária para que eles aloquem bilhões no mercado de ativos digitais através de custodiantes aprovados pelo governo.

Entenda os fundamentos e saiba separar as coisas

Para Wall Street, um “banco de criptomoedas” regulamentado pelo Estado é o paraíso. Para o bitcoiner soberano, soa como uma ironia histórica. O Bitcoin foi criado em 2009 justamente para eliminar a necessidade de “bancos fiduciários” e terceiros de confiança que detêm o controle sobre o seu dinheiro.

É ótimo ver o capital institucional recebendo pontes seguras para entrar no ecossistema – isso traz liquidez e fortalece a indústria. Porém, a lição para você, investidor pessoa física, continua a mesma: um banco cripto ainda é um banco. Se o seu Bitcoin está guardado no cofre da Crypto.com, ele legalmente pertence a eles, e você tem apenas uma promessa de pagamento (um IOU). Use as corretoras como pontes para comprar, mas seja o seu próprio banco fazendo a auto-custódia das suas chaves.

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DYOR.

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