Aplicativo de transporte Ryde adota tesouraria cripto para proteger caixa, mas divide foco com altcoins

A adoção corporativa continua se espalhando além de Wall Street. O Ryde Group, uma plataforma de mobilidade e compartilhamento de viagens baseada em Singapura (concorrente do Uber), anunciou oficialmente que adotou uma estratégia de tesouraria em criptomoedas para as suas reservas corporativas.

A empresa, cujas ações são negociadas na bolsa americana, decidiu investir uma parte do seu caixa em Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e Solana (SOL). A justificativa oficial da diretoria para essa mudança foi a necessidade de se adaptar ao “cenário macroeconômico em evolução”, buscando mais flexibilidade na gestão do seu capital fiduciário.

Um histórico com cripto e um mercado desafiador

O Ryde não é um novato completo nesse mundo. O aplicativo já havia sido pioneiro em 2020 ao permitir que os usuários pagassem por corridas diretamente com Bitcoin através de uma carteira própria no app. Agora, o salto é institucional: eles contrataram custodiantes terceirizados e criaram comitês de risco para gerenciar essas reservas.

O detalhe mais interessante dessa notícia é o timing. A Ryde está entrando no mercado de tesouraria digital num momento em que muitas empresas do setor estão sangrando. Em fevereiro de 2026, os aportes institucionais nesse tipo de tesouraria caíram para os menores níveis desde 2024.

Vimos empresas listadas vendendo suas reservas de Bitcoin para financiar recompra de ações, e outras amargando prejuízos bilionários em papel por terem comprado Ethereum no topo. A Ryde está indo na direção contrária, comprando enquanto os “mãos de alface” institucionais vendem.

Os pontos positivos e negativos para a Ryde

A iniciativa da Ryde de fugir da inflação do dinheiro fiduciário é corretíssima. O cenário macroeconômico global é de impressão desenfreada de dinheiro, e o caixa de qualquer empresa que fique parado em Dólar ou Euro está derretendo.

No entanto, a Ryde comete um erro clássico de empresas iniciantes nesse mercado: colocar Bitcoin, Ethereum e Solana no mesmo “balaio” de reserva de valor. O Bitcoin é um protocolo monetário final, escasso, sem dono e incensurável – o verdadeiro ouro digital. Já Ethereum e Solana são empresas de tecnologia disfarçadas de moedas, comandadas por fundações centrais e sujeitas a mudanças arbitrárias de regras.

Colocar o caixa da empresa em altcoins não é proteger o patrimônio da inflação; é fazer apostas de capital de risco (Venture Capital). Para a sua tesouraria pessoal, siga o manual de sobrevivência corporativa da MicroStrategy: fuja do risco de contraparte e acumule apenas Bitcoin.

DYOR.

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