O sistema bancário tradicional está construindo suas próprias pontes para a blockchain. O Hana Financial Group, um dos maiores conglomerados financeiros da Coreia do Sul, assinou um acordo de cooperação global com o gigante britânico Standard Chartered.
A parceria abrange vários setores, como bancos de investimento e mercado de câmbio, mas o grande destaque do anúncio foi o foco conjunto na exploração de áreas financeiras do futuro, especificamente os ativos digitais. O objetivo das duas instituições é unir suas extensas redes globais para criar novas oportunidades de crescimento no mercado asiático.
A verdadeira aposta dos bancos: stablecoins
Se olharmos os movimentos recentes dessas empresas, fica claro qual é o alvo: o dinheiro fiduciário digitalizado. No início de março, o Hana Financial já havia anunciado uma parceria de peso com a Circle (empresa americana emissora da stablecoin USDC) e com a corretora Crypto.com. A meta dessa iniciativa é promover o uso de stablecoins como ferramenta de pagamento para turistas estrangeiros que visitam a Coreia do Sul.
Do outro lado do balcão, o Standard Chartered também está se movendo rápido. O CEO Bill Winters destacou a importância de dominar o mercado asiático, e não é à toa: o banco britânico está na fila para receber uma licença oficial do governo para se tornar um emissor de stablecoins em Hong Kong ainda no final deste mês.
A adoção da blockchain
Muitos portais de notícias vão vender essa manchete como “grande adoção do mercado cripto pelos bancos”. Mas nós lemos as entrelinhas; os grandes bancos não estão adotando o Bitcoin, eles estão adotando a tecnologia por trás dele (a blockchain) para modernizar o velho dinheiro fiduciário.
Ao focar em stablecoins (Dólares ou Wons sul-coreanos digitais), instituições como o Hana e o Standard Chartered buscam a eficiência, a velocidade e o baixo custo de transação das redes cripto, mas sem perder o poder de censura e o controle da emissão.
Stablecoins corporativas são excelentes para o comércio e reduzem o atrito de pagamentos internacionais, mas não resolvem o problema da inflação. Um dólar tokenizado por um banco ainda sofre a desvalorização ditada pelo Banco Central. A verdadeira revolução não é apenas colocar a moeda do Estado em uma blockchain, mas sim adotar uma moeda sem Estado, como o Bitcoin.
DYOR.


