Bancos rejeitam acordo da Casa Branca e travam lei cripto por medo de perder depósitos

As negociações para a aprovação da aguardada Lei de Clareza (CLARITY Act) chegaram a um beco sem saída nos Estados Unidos. O motivo? Os grandes bancos rejeitaram uma proposta de meio-termo oferecida pela Casa Branca, travando o avanço do marco regulatório no Senado e enfurecendo o presidente Donald Trump.

Trump, que tem se posicionado como um defensor feroz da indústria de ativos digitais, foi às redes sociais acusar as instituições financeiras de sabotagem. “Não vamos permitir que eles minem nossa poderosa Agenda Cripto”, declarou, exigindo que os bancos aceitem um acordo que beneficie a população.

A raiz do pânico: o fim do monopólio dos rendimentos

Para entender essa briga, precisamos olhar para como os bancos tradicionais ganham dinheiro. O sistema bancário funciona com reservas fracionárias: eles pegam o seu depósito (que rende quase zero) e o emprestam para terceiros cobrando juros altos.

O projeto de lei em discussão permitiria que exchanges de criptomoedas (como a Coinbase) oferecessem rendimentos justos para quem mantém dólares digitais (stablecoins) em suas plataformas. Os bancos estão aterrorizados porque sabem que, se o cidadão comum puder ganhar mais juros deixando seu dinheiro em uma carteira digital do que no banco, haverá uma fuga massiva de capital. Analistas estimam que, até 2028, as stablecoins poderiam drenar até US$ 500 bilhões em depósitos dos bancos americanos.

Sem esses depósitos, a capacidade dos bancos de criar dinheiro através de empréstimos despenca. É por isso que figuras como Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, exigem que as empresas cripto sejam asfixiadas com as mesmas regras aplicadas aos bancos.

O acordo que os bancos recusaram

A Casa Branca tentou apaziguar os ânimos. O governo propôs um meio-termo: as empresas cripto poderiam oferecer rendimentos em stablecoins apenas em situações limitadas (como em pagamentos de pessoa para pessoa), mas não para fundos parados. As empresas de criptomoedas aceitaram ceder. Os bancos, no entanto, disseram “não”. Eles argumentam que até mesmo essa pequena concessão causaria fuga de depósitos.

Agora, com o relógio correndo contra o tempo antes do recesso de verão no Congresso e com as eleições de novembro se aproximando, o futuro da lei é incerto.

Apesar de tudo, o dólar continuará sofrente com a inflação

O que estamos assistindo em Washington é o choro de um oligopólio financeiro que perdeu a capacidade de inovar e agora implora pela proteção do Estado para não perder seus clientes. O argumento dos bancos de que as stablecoins “ameaçam as operações de empréstimo centrais para a economia” é apenas uma forma polida de dizer: “nós precisamos do seu dinheiro barato para continuar lucrando”.

Contudo, para o bitcoiner soberano, essa briga é apenas um espetáculo. Stablecoins são ótimas ferramentas de transição e expõem a ineficiência bancária, mas elas continuam sendo fiduciárias (fiat). Um dólar digital ainda é um dólar: ele sofre inflação e os emissores podem congelar sua carteira se o governo mandar. Deixe os bancos e as corretoras brigarem pelas migalhas do rendimento em dólar. A sua verdadeira proteção contra a inflação e o confisco estatal não paga “yield” (rendimento) mensal, ela simplesmente se valoriza com o tempo porque é matematicamente escassa. Foque no Bitcoin.

DYOR.

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