O presidente dos EUA, Donald Trump, teve uma reunião privada com Brian Armstrong, CEO da Coinbase, e logo em seguida foi às redes sociais disparar contra o sistema bancário tradicional.
Em uma postagem na sua rede Truth Social, Trump acusou os grandes bancos de ameaçarem e minarem a recente legislação do setor de ativos digitais (como o GENIUS Act aprovado no ano passado) e de manterem a nova Lei de Clareza (CLARITY Act) como “refém” no Senado. Comprando a briga da indústria cripto, o presidente disparou: “Os americanos deveriam ganhar mais dinheiro com o próprio dinheiro. Os bancos precisam fazer um bom acordo com a indústria cripto”.
O verdadeiro medo dos bancos: perda de monopólio
Por que os bancos estão fazendo um lobby tão pesado para travar essas leis no Senado? O centro da disputa tem nome: rendimento de stablecoins.
Exchanges como a Coinbase querem oferecer programas de recompensas (rendimentos anuais) para clientes que deixarem seus dólares digitais (stablecoins) na plataforma.
Os bancos tradicionais estão aterrorizados com isso. Eles alertam o governo de que, se as empresas cripto puderem pagar juros justos nos dólares digitais, a população vai sacar em massa o dinheiro das contas bancárias tradicionais (que rendem migalhas).
Sem esses depósitos de clientes, os bancos perdem a base do seu modelo de negócios (as reservas fracionárias), o que ameaça a capacidade deles de criar dinheiro do nada através de empréstimos. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, já exigiu que as stablecoins sigam as mesmas regras draconianas dos bancos para “garantir condições de igualdade” – o que, na prática, significa “não deixem eles competirem com a gente”.
O jogo político em Washington
Atualmente, o Senado americano virou um campo de batalha. O GENIUS Act (2025) deu o primeiro mapa para os emissores de stablecoins, e o CLARITY Act visa definir quem manda no quê. Enquanto o governo tenta mediar o conflito sem sucesso, a senadora pró-Bitcoin Cynthia Lummis reforçou o coro de Trump, exigindo que o Congresso se mova rápido para não deixar os EUA para trás na corrida da inovação.
Para nós, estudantes da economia descentralizada, é fascinante e até divertido ver os grandes bancos fiduciários implorando por proteção estatal contra a inovação do livre mercado. Eles estão provando a tese de que o modelo bancário tradicional é ineficiente e sobrevive apenas de barreiras regulatórias.
Porém, não se engane: stablecoin não é Bitcoin. Stablecoins continuam sendo atreladas ao Dólar, sujeitas à inflação americana e à censura (empresas podem congelar seus dólares digitais com um clique). Essa briga em Washington é essencialmente uma disputa entre o “velho sistema fiduciário” (bancos) e o “novo sistema fiduciário tecnológico” (exchanges de stablecoins).
É um ótimo passo para enfraquecer o monopólio bancário, mas o verdadeiro “dinheiro forte”, incensurável, escasso e sem dono, continua sendo apenas um: o Bitcoin na sua carteira fria.
DYOR.


