Sam Bankman-Fried (SBF), o fundador da falida corretora FTX que cumpre uma pena de 25 anos de prisão, entrou com um pedido oficial para um novo julgamento nesta quarta-feira. O argumento dele é, no mínimo, polêmico: ele afirma que a FTX nunca esteve insolvente e que o dinheiro dos clientes “sempre esteve lá”.
Em uma série de postagens recentes (e raras) na rede social X, SBF disparou acusações graves:
- A culpa é dos advogados: Ele alega que foi forçado pelos advogados a declarar falência (Chapter 11) contra a sua vontade, apenas para que o escritório de advocacia pudesse assumir o controle e lucrar com taxas legais milionárias.
- A tese da solvência: Segundo SBF, a FTX.US (o braço americano) tinha dinheiro suficiente para cobrir todos os clientes e não deveria ter entrado no processo de falência.
- Guerra política: Ele se diz vítima de uma “guerra política” orquestrada pela administração anterior dos EUA, alegando que promotores esconderam evidências e coagiram testemunhas (incluindo a noiva de um ex-executivo) para garantir sua condenação.
O contexto da “novela SBF”
Para quem está chegando agora, é fácil se deixar levar por essa nova narrativa de “vítima”, mas os fatos do colapso de 2022 mostram outra realidade. A queda da FTX foi um dos maiores desastres financeiros da história, gerando um prejuízo de US$ 8 bilhões porque a corretora usava o dinheiro dos clientes para fazer apostas arriscadas em seu fundo de hedge (Alameda Research).
O pedido de novo julgamento mostra que SBF está tentando reescrever a história, chamando sua condenação por fraude de “lawfare” (uso da lei para perseguição política). No entanto, o cenário político atual não parece favorável a ele: o presidente Donald Trump já declarou publicamente que não tem nenhuma intenção de perdoar Sam Bankman-Fried.
Para resumir: SBF tenta pintar o colapso como um erro administrativo forçado por advogados, enquanto a justiça e os reguladores (SEC/CFTC) provaram que foi um esquema massivo de desvio de fundos e contabilidade criativa.
O que podemos tirar de lição disso tudo?
Essa novela jurídica reforça, mais uma vez, a regra de ouro do bitcoiner: “Not your keys, not your coins” (sem suas chaves, não são suas moedas). Não importa se o CEO da corretora é um “gênio” do MIT, se ele doa para políticos (o que convenhamos, não condiz com a essência de crypto) ou se ele diz que a empresa é solvente no Twitter. Se o Bitcoin não está na sua carteira, você está correndo o risco de contraparte. A FTX era a segunda maior do mundo e quebrou. Não confie em terceiros, confie na matemática e na auto-custódia.
DYOR.
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