A verdadeira definição de inflação não é o aumento dos preços, mas sim o aumento da quantidade de dinheiro e crédito em circulação na economia. O encarecimento dos produtos nas prateleiras (inflação de preços) é apenas o sintoma visível; a doença real é a expansão monetária causada pelos bancos centrais, que dilui o valor de cada nota que você tem no bolso.
Você liga a TV e o jornal diz: “A inflação oficial (IPCA) acumulada é de 4%”. Mas quando você vai ao supermercado, sente que a carne subiu 15%, o aluguel 10% e a imposto 8%. A conta não fecha. Você sente que está sendo enganado?
Pois saiba que sua intuição está certa. Existe uma diferença fundamental entre o que o governo chama de inflação e o que realmente corrói o seu patrimônio. Neste artigo, vamos separar a causa da consequência e explicar, de uma vez por todas, o conceito de inflação monetária.
A Grande Confusão: Inflação de Preços vs. Inflação Monetária
Para entender o que acontece com seu bolso, precisamos corrigir um erro histórico nos dicionários modernos.
- Inflação de Preços (O Sintoma): É o que o governo mede (IPCA). É quando o preço do leite, da gasolina ou do tomate sobe. A maioria das pessoas acha que isso é a inflação.
- Inflação Monetária (A Causa): É a definição original e economicamente correta. É o aumento da base monetária, ou seja, a criação de dinheiro novo que não existia antes.
Pense no dinheiro como se fosse água em uma sopa. Se você tem uma panela de sopa (a economia) saborosa e, de repente, despeja mais dois litros de água (dinheiro impresso) nela, o que acontece? A sopa não aumenta de quantidade real (nutrientes), ela apenas fica aguada. Cada colherada agora vale menos.
Quando o governo “imprime dinheiro”, ele está aguando a sopa. O resultado inevitável é que você vai precisar de mais colheradas (mais reais) para se alimentar (comprar o mesmo produto).
Por Que os Índices Oficiais (IPCA) Não Contam a História Toda?
O governo utiliza índices como o IPCA para medir a “inflação de preços”. O problema é que esses índices são médias baseadas em uma “cesta de produtos” arbitrária.
- Se o preço da carne sobe, mas o preço da passagem de ônibus cai (porque o governo subsidiou), a média pode parecer baixa. Mas se você come carne e não anda de ônibus, sua inflação pessoal é altíssima.
- Além disso, o IPCA esconde a raiz do problema. Ele trata o aumento de preços como se fosse culpa do clima, da guerra ou dos empresários, ignorando o elefante na sala: a impressão de moeda.
- Outro ponto é a alteração no peso de cada produto nessa “cesta de produtos” que o governo utiliza como base; hoje eles fazem o cálculo tendo 1kg de café como base, amanhã, o cálculo será feito em 700g de café. O preço pode continuar o mesmo, mas o conteúdo do produto não.
Entender essa manipulação dos índices é um dos pilares para compreender como a economia realmente funciona, um tema central na Escola Austríaca: Os Princípios Que Explicam a Inflação (e o Bitcoin).
Quem é o Verdadeiro Culpa da Inflação?
Muitas vezes, a mídia culpa o dono do supermercado, a seca ou a guerra no exterior pelo aumento dos preços. Embora esses fatores possam causar oscilações temporárias em produtos específicos, eles não causam inflação generalizada e contínua.
Só existe uma entidade capaz de criar inflação sistêmica: quem tem a máquina de imprimir dinheiro.
No Brasil, assim como na maioria dos países, esse poder está nas mãos do Banco Central. Quando o governo gasta mais do que arrecada e precisa cobrir o rombo, ou quando quer estimular a economia artificialmente, ele expande a oferta de dinheiro.

Ao fazer isso, ele está, na prática, roubando valor de quem poupou dinheiro, um processo que detalhamos no artigo Como o Governo Imprime Dinheiro e Transforma Suas Economias em Pó.
Como Se Proteger da Diluição do Seu Dinheiro?
Se a inflação é causada pelo aumento da quantidade de dinheiro, a única forma de se proteger é manter seu patrimônio em algo que o governo não possa inflacionar (ou seja, não possa imprimir mais).
- Bitcoin: Funciona porque tem um limite matemático estrito de 21 milhões de unidades.
- Ouro: Historicamente funcionou porque é difícil de minerar.
- Imóveis: Funcionam porque o espaço físico é limitado.
Diferente do Real, que pode ser multiplicado infinitamente por uma decisão burocrática, o Bitcoin é imune à inflação monetária. Ele é o antídoto para o dinheiro fraco. Para entender profundamente essa comparação, recomendamos a leitura do nosso artigo Bitcoin vs. Ouro: Qual a melhor reserva de valor?.
Entender a diferença entre preços altos e dinheiro fraco é o primeiro passo para parar de culpar o açougueiro e começar a proteger o seu futuro.
- Leia Mais: Gostou deste artigo? Entenda por que deixar seu dinheiro parado no banco é perigoso em nosso artigo: Por que guardar dinheiro na poupança faz você perder poder de compra?.
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